A minha história

Amália Carvalho, Fundadora do Podcast Bela Questão
Amália Carvalho, Fundadora do Podcast Bela Questão

Há espaço para todos crescermos, para todos alcançarmos os nossos sonhos, porque todos somos diferentes, todos temos necessidades e expectativas diferentes e todos merecemos uma vida com significado e felicidade. Todos, sem exceção. Todos somos convidados a fazer parte do Bela Questão!

Amália Carvalho

O primeiro passo na comunicação

Desde pequena, sempre fui conversadora. O meu estado natural é estar a conversar, adoro partilhar o que me vai na alma, fazer perguntas e aprender com os outros.

Com o passar dos anos, chegou aquela fase dos testes psicotécnicos do 9º ano que muitos de nós tão ansiosamente aguardamos que nos tragam respostas sobre “quem vamos ser” (como se a profissão nos definisse). No meu caso, os resultados mostraram a minha queda para as letras e na altura havia a possibilidade de fazer um curso tecnológico de “Comunicação e Multimédia”, onde aprenderia as bases de ambas as vertentes. E assim dei o primeiro passo rumo à comunicação.

“Menos é mais”: introdução ao design gráfico da vida

Foi no secundário onde aprendi a máxima do “menos é mais” no design gráfico, que ainda hoje utilizo em todas as comunicações que faço (mais tarde descobri que afinal se aplica em tudo na vida). Aprendi a importância do storytelling e a ligação que as emoções têm entre histórias, pessoas, produtos, ações e serviços.

Existe uma tendência de, conforme os anos passam, não se falar no percurso académico do secundário, como se nos tornasse mais júniores ou como se fosse um cobertor para currículos vazios. Mas eu vejo o secundário como uma rampa de lançamento para a vida, numa das alturas em que desenvolvemos a nossa identidade enquanto seres humanos.

O poder das histórias

Ainda no secundário, recordo com orgulho de um documentário que fiz onde contava duas histórias de duas mulheres da minha aldeia, em Bustelo, Amarante. Fui entrevistar uma das senhores mais pobres e uma das senhoras mais ricas para evidenciar os fatores por detrás das suas vidas. Foi emocionante perceber o papel crucial que o acesso à educação, e a falta dele, tiveram para aquelas vidas.

Percebi que as histórias das pessoas me fascinavam e que queria entender o porquê, ir aos bastidores. Mas nem por isso achei que a comunicação era o único caminho. Indecisa entre Criminologia e Ciências da Comunicação, o que decidi fazer? Ouvir as pessoas que estavam em ambos os cursos e perceber qual das histórias se relacionaria mais comigo e a conclusão acabou por ser fácil: o caminho seria pelas Ciências da Comunicação.

Com 17 anos, fui viver para Braga, para tirar o curso de Ciências da Comunicação pela Universidade do Minho, na altura, a universidade de referência na área. Apaixonei-me pelo curso desde o primeiro dia. Afinal, como se constrói uma boa história? Que meios existem para a divulgar? Em que formatos? Quais são as estruturas possíveis? Quem são as pessoas que vão ouvir essas mesmas histórias? Como se têm contado histórias? É a ciência de comunicar tão complexa como são os seres humanos que procura responder a estas questões.

Como o Erasmus me ensinou a contar histórias pelas fotografias

Aos 18 anos, fui morar seis meses para Maribor, na Eslovénia, numa das jornadas mais apaixonantes da minha vida: o Erasmus. Em 6 meses, viajei por 7 países, conheci uma cultura diferente, aprendi a falar fluentemente inglês, tentei (sem sucesso) falar em esloveno e desenvolvi competências de socialização fundamentais para a minha vida.

Um aparte sobre memórias linguísticas. O que nunca se esquece quando se aprende esloveno:

“Zdravo, kako ste? Jaz bom eno pivo, prosim. Hvala lepa!”

Olá! Como estás? Queria uma cerveja, por favor. Muito obrigada!

Pelo meio desta experiência internacional, que recomendo a todos os estudantes, aprendi a contar histórias através da fotografia, na teoria e na prática. Tive a sorte de ser apadrinhada por dois fotógrafos profissionais de desporto, Rene Gomolj e Juri Makovec. Abriram-me as portas a eventos como jogos de campeonatos nacionais de futebol, voleibol, basquetebol, ténis, sportsdance e até ao campeonato mundial de esqui feminino tive acesso, como fotojornalista.

Estava eu entusiasmada com a velocidade do obturador da Nikon 3s (na altura o ferrari das máquina fotográficas) a “disparar” para todo o lado, até que o Rene se virou para mim e disse (em inglês):

  • Pára, antecipa o momento e então dispara. Não podes querer captar todos os momentos, tens de antecipar o momento mais bonito e congelá-lo na fotografia.

Foi como se tivesse o Roland Barthes* ao meu ouvido a ensinar-me sobre o punctum de uma fotografia, aquela alfinetada que torna o momento especial, digno de ser guardado. Essa é a distinção é o que separa o trigo do joio. Mas certamente que para capturar o belo, antes é necessário errar, errar muito e errar melhor.

Mestrado em literacia mediática

Aos 21 anos, depois de regressar a Braga e terminar a licenciatura, viajava em direção a uma agência de comunicação no Porto para um estágio curricular, quando recebi uma chamada a propor um trabalho remunerado a part time. Em vez de me apresentar à minha futura mentora, acabei por me despedir e abraçar um part time no Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, para o Observatório de Media, Informação e Literacia, onde permaneci um ano. Gostei tanto da área que decidi fazer o mestrado, para me especializar, em Comunicação, Cidadania e Educação. Contudo, o trabalho era a recibos verdes e mais não preciso de dizer, não é? Pagamentos irregulares e instabilidade financeira para quem tinha de pagar as suas propinas e todas as despesas da vida adulta. Até que um dia surge o convite para um estágio profissional na multinacional Bosch. Juntando uma maior segurança financeira ao desejo de entrar no mercado de trabalho empresarial, embarque nessa aventura e cheguei ao mundo da comunicação organizacional.

A comunicar em organizações desde 2013

Assim começou a minha jornada pelo mundo da comunicação organizacional. Desde 2013, fiz dezenas, senão centenas de entrevistas, escrevi histórias de pessoas, de equipas, de projetos, desenhei estratégias, implementei planos e . Dizer que gosto daquilo que faço é dizer que o Cristiano Ronaldo joga bem à bola. A minha profissão foi feita à minha medida ou eu fiz a profissão à minha medida. Não há um dia igual ao outro, tédio? Não sei o que isso é! O relógio avança mais rápido do que eu desejaria e há uma sensação de realização profissional cá dentro que vale um bilhete premiado do euromilhões.

Na minha profissão, lido com pessoas. No fundo, o meu objetivo é ajudar os meus colegas a conseguirem tirar o máximo partido da cultura organizacional para desempenharem as suas funções. Para isso, é necessária sensibilidade, bom senso, experiência e, sem dúvida, o pensamento crítico e o conhecimento adquirido lá atrás nas ciências da comunicação. Comunicar tem e é uma ciência, embora precise dos ingredientes do bom senso e da sensibilidade. Comunicar todos comunicamos, mas eficazmente e eficientemente? É um desafio. Aliás, lidar com pessoas é um desafio e todos sabemos disso.

Mas, Amália, onde entra o podcast no meio disto tudo?

Por influencia de livros e empreendedores que segui de perto, cresceu em mim uma vontade de partilhar as minhas descobertas nesta área do desenvolvimento pessoal. Ainda me aventurei num blogue – o Mugship – mas logo percebi que não sentia aquele brilhozinho e entusiasmo pelo formato. O podcast foi amor ao primeiro sussurro. Senti que é um formato em que nos falam ao ouvido, há uma proximidade e humanidade na voz que me apaixonou. Depois de descobrir o formato, comecei a anotar todas as ideias para perceber que tipo de conteúdo queria criar e a verdade é que quem procura sempre encontra.

O meu objetivo é que este projeto chegue ao máximo número de portugueses que partilhem deste interesse pelo seu auto-crescimento e desenvolvimento pessoal porque acredito que é uma área importantíssima para a nossa vida, para o nosso equilíbrio mental e bem-estar. Crescer é evoluir e evoluir é viver. Sem evolução, estagnamos e o ser humano não foi feito para estagnar, daí as frustrações que muitos sentem.

O meu desejo é que o Bela Questão seja um podcast que desperte energia e entusiasmo a todos os que seguem o projeto para elevarem as suas vidas ao nível que sonham, porque tudo é possível. Mas é necessário arrepiar caminho e juntos podemos chegar todos mais longe.

Há espaço para todos crescermos, para todos alcançarmos os nossos sonhos, porque todos somos diferentes, todos temos necessidades e expectativas diferentes e todos merecemos ser felizes. Todos, sem exceção. Todos somos convidados a ser parte do Bela Questão para todos sermos sermos felizes!