Os 5 Tipos de Síndrome da Impostora: Como Identificar o Teu

Os 5 Tipos de Síndrome da Impostora: Como Identificar o Teu

Uma conversa com a psicóloga Filipa Jardim da Silva sobre como a síndrome da impostora não escolhe os menos capazes — mas os que mais se exigem.

O que é a Síndrome da Impostora?

A síndrome da impostora é um padrão emocional e cognitivo em que sentimos que somos uma fraude, mesmo perante evidências claras das nossas capacidades. A qualquer momento, esperamos ser expostos como incompetentes.

Não é uma perturbação psicológica reconhecida pelos manuais de diagnóstico, mas funciona como factor de risco para vários quadros clínicos — burnout, perturbações de ansiedade e depressão.

Segundo a psicóloga clínica Filipa Jardim da Silva, autora do livro Síndrome da Impostora (Editora Planeta, 2025), o problema é que esta síndrome afecta mais frequentemente pessoas bem-sucedidas e com elevadas competências — pessoas que têm provas mais do que suficientes do seu valor, mas continuam a achar que têm tudo para provar.

Os 5 tipos de Síndrome da Impostora segundo a Dra. Valerie Young

A psicóloga Valerie Young identificou cinco subtipos de síndrome da impostora. Cada um tem características próprias, padrões de pensamento típicos, e formas específicas de manifestação.

Identificar o teu subtipo é o primeiro passo para criar um diálogo mais saudável com este padrão.

1. A Perfecionista

O pensamento típico: "Podia sempre ter feito melhor."

A Perfecionista tem uma aversão absoluta ao erro. Define padrões irrealistas para si própria e interpreta qualquer falha como sinal de incompetência. Mesmo quando entrega trabalho excelente, foca-se obsessivamente nos 5% que correram menos bem.

Como reconhecer-te:

  • Organizas um evento durante meses e obténs 95% de avaliações positivas — mas vais para casa amargurada pelos 5% que correram mal
  • Adias projectos porque "ainda não estão prontos"
  • Recusas delegar porque "ninguém faz tão bem como tu"

Importante: ser perfecionista não é o mesmo que ter brio ou responsabilidade. É possível ter brio e falhar com qualidade — sem que isso te defina.

2. A Supermulher (ou Super-Homem)

O pensamento típico: "Tenho de dar conta de tudo."

A Supermulher acredita que tem de ser excepcional em todas as dimensões da vida — profissional, mãe, filha, amiga. Mantém vários pratos no ar e não se permite deixar cair nenhum.

Como reconhecer-te:

  • Estás no trabalho a pensar na família — e com a família a pensar no trabalho
  • Sentes culpa quando paras
  • Não pedes ajuda, não porque sejas egoísta, mas porque achas que tens de conseguir sozinha

É um dos perfis mais propensos ao burnout — porque a sociedade valoriza e glamoriza a exaustão.

3. A Especialista

O pensamento típico: "Ainda não sei o suficiente para avançar."

A Especialista nunca está pronta. Está sempre a fazer mais um curso, mais uma formação, mais uma certificação — porque "o saber não ocupa lugar". Mas a escala do que considera suficiente é infinita.

Como reconhecer-te:

  • Tens três pós-graduações e ainda não te sentes preparada para lançar o teu serviço
  • Não te candidatas a vagas onde preencheres "apenas" 80% dos requisitos
  • Procuras sempre mais um curso antes de avançar com um projeto

O antídoto: aceitar que nunca vai existir um momento em que sabes tudo. A solução não é mais formação — é fazer com aquilo que já sabes.

4. A Solista

O pensamento típico: "Se preciso de ajuda, é porque não sou boa o suficiente."

A Solista acredita que pedir ajuda diminui o seu mérito. Numa empresa, é o líder que faz microgestão e centraliza tudo. Acredita que se a tarefa não for executada por ela de A a Z, não pode atribuir-se competência.

Como reconhecer-te:

  • Tens uma equipa mas acabas a fazer o trabalho deles
  • Não delegas porque "demoras mais a explicar do que a fazer"
  • Achas que se houver colaboração, não tens mérito no resultado

5. O Génio Natural

O pensamento típico: "Se não me sai à primeira, é porque não é para mim."

O Génio Natural acredita que o talento deve ser inato. Se demora a aprender, se tem de se esforçar, sente vergonha. Espera resultados espectaculares de forma espontânea.

Como reconhecer-te:

  • Quando eras nova aprendias tudo depressa — agora demoras e achas que estás a piorar
  • Se o primeiro livro não foi best-seller, "já não devias ter escrito o segundo"
  • Abandonas projectos que exigem trabalho lento e consistente

A verdade: todo o talento precisa de processo. Nada acontece à primeira. Como diz Filipa Jardim da Silva — "somos muito mais transpiração do que inspiração."

Como identificar o teu subtipo de Síndrome da Impostora

A maioria das pessoas identifica-se com mais do que um subtipo. Não é exclusivo — é uma combinação. O importante é perceber qual é o predominante neste momento da tua vida.

Faz este exercício: lê os cinco pensamentos típicos em voz alta. Qual deles te faz parar mais? Qual te soa mais familiar?

Como gerir a Síndrome da Impostora: 5 estratégias práticas

Segundo Filipa Jardim da Silva, há cinco estratégias que funcionam transversalmente em todos os subtipos:

  1. Não tomar decisões em momentos de crise emocional. Por mais óbvia que pareça a decisão, espera. Se é óbvia, vai continuar a ser óbvia daqui a duas semanas.
  2. Trabalhar com o corpo antes da mente. Quando não conseguimos pensar com clareza, focamo-nos em regular o sistema nervoso — respiração, sono, movimento.
  3. Nomear e dialogar com as partes internas. Não somos a nossa síndrome da impostora — temos uma parte que se comporta assim. Reconhecer essa parte permite criar distância.
  4. Substituir o pensamento "ou/ou" pelo "e". Não tens de escolher entre ter carreira ou família, entre ser ambiciosa ou equilibrada.
  5. Quando a intensidade é grande, procurar terapia. Não é fraqueza — é responsabilidade.

A Bela Questão deste episódio

Será que sentirmo-nos impostoras é o preço que pagamos por nos importarmos?

O antídoto verdadeiro da síndrome da impostora não é o sucesso. É o merecimento. É achar que tens valor pela pessoa que és — não só pelos teus sucessos.

Sobre a Filipa Jardim da Silva

Psicóloga clínica, fundadora e directora clínica da Academia Transformar. Autora dos livros Dar a Volta e Síndrome da Impostora — Tu não és uma fraude. Acredita em ti. Acredita no teu valor. (Editora Planeta, 2025).

Instagram: @filipajardimdasilva

Ouve o episódio completo

🎙 Episódio 130 do Podcast Bela Questão

Sobre o Podcast Bela Questão

O Bela Questão é o podcast de Amália Carvalho sobre inteligência emocional. Há 7 anos no ar, conta com episódios semanais sobre comunicação, relações, desenvolvimento pessoal e saúde mental.

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