Como ultrapassar a paralisia analítica: 5 lições de 2025

Como ultrapassar a paralisia analítica: 5 lições de 2025

Quando estamos a ir de A para B, na verdade somos nós o nosso próprio GPS. Somos nós que fazemos o planeamento.
Mas esse planeamento, às vezes, começa a desviar-nos do caminho. E quando isso acontece, por mais que tentemos, não conseguimos chegar a B de maneira nenhuma.

Nessas alturas, temos de recalcular rotas.
E isso, para mim, é uma bela questão.

Neste episódio do Bela Questão quero falar contigo sobre uma das aprendizagens mais importantes de 2025: como ultrapassar a paralisia analítica.

Estamos a aproximar-nos do final do ano e todos os anos gosto de fazer este exercício de reflexão. Gosto de olhar para o que o ano me trouxe, para as grandes lições, para tudo aquilo que fui escrevendo no meu caderno. E esta foi, sem dúvida, a mais importante.

Partilho-a contigo porque o propósito deste projeto sempre foi o mesmo: ajudar-nos, de forma prática, a termos uma vida melhor, mais equilibrada, com as emoções no lugar.

Este foi um ano — aliás, estes últimos dois anos e meio — de muita reflexão. Foram anos que exigiram direção. E percebi uma coisa muito simples: as ferramentas existem por uma razão. Mas se não as usamos, deixam de fazer efeito. Tal como quando deixamos de ir ao ginásio.

Hoje quero ter contigo uma conversa pessoal. Não diria íntima, mas pessoal. Quero partilhar contigo algumas das coisas mais importantes que aprendi, sobretudo se, como eu, por vezes pensas demais, pensas de forma excessiva, ficas presa nesses pensamentos, começas a ruminar e acabas bloqueada, sem conseguir agir ou tomar decisões.

Vamos juntas, vamos juntos, descobrir algumas ferramentas que nos ajudam a desbloquear.

A paralisia analítica existe

Paralisia analítica é um palavrão. Mas no fundo resume-se a isto: pensamento excessivo.

Se houvesse um baile da paralisia analítica, daquelas pessoas que não param de pensar, eu era a rainha do baile. Literalmente.

Muitas vezes dou por mim a pensar tanto que bloqueio. E por isso tenho de procurar ferramentas para que este bloqueio dure o mínimo de tempo possível e não iniba a ação.

Até porque, neste momento, não tenho muito tempo para ficar bloqueada. Tenho dois bebés — uma com nove meses, outro com dois anos e sete meses —, uma carreira a tempo inteiro, este projeto, família, amigos, casa, tarefas domésticas. Tal como tu, provavelmente.

Não há muito espaço para ficar parada dentro da cabeça.

Lição 1 – Não anules a tua voz à procura da validação dos outros

A primeira grande lição foi esta: não anules a tua voz à procura da validação dos outros.

Isto acontece com muita frequência. Ficamos inseguros por várias razões:
porque os resultados não aparecem,
porque as expectativas estão desalinhadas com a realidade,
porque surgem imprevistos que nos atrasam,
porque sentimos que estamos a ficar para trás.

Entramos num processo de auto-dúvida. E quando estamos mais fragilizados, é muito fácil começarmos a duvidar de nós próprios.

Foi isso que me aconteceu. Com tantos imprevistos ligados à maternidade e à imprevisibilidade de ter dois bebés, comecei a sentir-me mais vulnerável. Comecei também a não conseguir entregar tanto quanto gostaria. As minhas expectativas ficaram desalinhadas da minha realidade no que diz respeito ao podcast Bela Questão.

Havia dias em que tinha cinco, dez minutos para fazer alguma coisa. E estamos a falar de um projeto que vive de produção de conteúdo: podcast, redes sociais, presença contínua.

Juntei-me, sem dar por isso, à armadilha dos números e das estatísticas. E as redes sociais são uma das formas mais perigosas de validação externa. Os números dizem muito pouco sobre nós, mas damos-lhes um peso enorme.

Uma ferramenta que me ajudou muito foi o conceito “let them / let me”.

Let them: aceitar que não tenho controlo sobre o que os outros pensam, dizem ou fazem.
Let me: focar-me no que está sob a minha responsabilidade — o que eu faço com aquilo que me incomoda, com o que ultrapassa os meus limites.

Eu posso comunicar limites. Posso procurar ajuda. Posso ter conversas difíceis. Mas não posso controlar o outro.

E muitas vezes ficamos tão presas naquilo que os outros fazem que nos esquecemos completamente da parte em que podemos agir.

Lição 2 – Distinguir pedagogia, ciência e terapia

A segunda lição foi aprender a distinguir pedagogia, ciência e terapia.

Quando lancei o Bela Questão, lancei-o como um projeto educacional: entretenimento educativo sobre inteligência emocional.

Com o crescimento do mundo dos podcasts, comecei a sentir que precisava de uma linha distintiva. Fiz uma consultoria em comunicação e surgiu a ideia de me posicionar muito mais como comunicadora de ciência. Traduzir estudos científicos, trazer rigor, dar palco à ciência.

E eu acredito profundamente nisso. Mas o que aconteceu foi que entrei numa paralisia analítica. Quanto mais estudava, mais sentia que sabia pouco. E quanto mais queria rigor, mais perdi a minha voz.

Transformei-me quase num megafone da ciência e perdi o brilho da inspiração, da partilha prática, da vida real.

A ciência é fundamental, mas não nos dá respostas para tudo, sobretudo para as pequenas questões do dia a dia. Se ficarmos sempre à espera de um estudo para validar cada emoção, cada dúvida, bloqueamos.

E foi isso que me aconteceu.

Este projeto nunca foi terapia. É pedagogia, é reflexão, é literacia emocional. Quando é preciso terapia, devemos procurar profissionais de saúde. Eu faço isso e digo-o sem problema nenhum.

Distinguir estas três áreas devolveu-me clareza.

Lição 3 – Todos temos algo que podemos ensinar

Todos temos algo que podemos ensinar. Todos podemos ajudar a transformar a vida de alguém.

Num mundo cada vez mais dominado pela inteligência artificial, a pergunta é: onde fica a autenticidade?

Fica na tua essência.
Nas histórias que só tu podes contar.
Nos valores em que acreditas.
Na tua personalidade.

Tu não és um megafone.
Eu não sou um megafone.

A nossa essência é demasiado importante para ser apagada. Mas para a preservarmos, temos primeiro de a conhecer.

Quem és tu?
Como te sentes?
Quais são os teus valores?
O que trazes de especial?

Aposta nisso.

Lição 4 – Recalcular rotas não é falhar

Quando usas um GPS e te enganas no caminho, ele não te ofende. Não te chama ignorante. Não te critica.

Ele diz apenas: a recalcular rota.

E é isso que precisamos de aprender a fazer na vida.

Se o plano deixou de funcionar, recalcula. Há mil caminhos para chegar a Roma. O importante é não ficar parada só porque o trajeto original falhou.

Eu precisei de recalcular o meu caminho neste projeto. Perceber que só ciência e rigidez não eram quem eu sou. A minha essência precisava de voltar.

Lição 5 – Saber ultrapassar a paralisia analítica é uma competência essencial

A paralisia analítica é real.
E saber ultrapassá-la é uma das competências mais importantes para o futuro.

Vivemos na era da abundância de informação. Tudo chega até nós em segundos. O desafio já não é ter informação, é saber validá-la, filtrá-la e não ficar bloqueada por ela.

Pensar demais impede a ação.
E sem ação não há mudança.

Estas foram as minhas cinco grandes lições de 2025. A forma que encontrei de tirar da cabeça aquilo que me bloqueia e transformar pensamento em direção.

Se tiveres alguma ferramenta que te ajude a desbloquear, partilha comigo.
E lembra-te: quando o caminho falha, recalcular não é desistir. É continuar.