Como influenciar e conquistar as emoções das pessoas? Com Alexandre Monteiro

Como influenciar e conquistar as emoções das pessoas? Com Alexandre Monteiro

“Tu não consegues influenciar ninguém se não influenciares as emoções.”

Foi assim, direto ao ponto, que começou esta conversa com Alexandre Monteiro, autor best-seller e uma das maiores referências em Portugal na área do comportamento humano e da influência interpessoal.

No episódio 103 do podcast Bela Questão, mergulhámos numa pergunta que parece simples, mas que toca no coração da ciência das emoções: afinal, como se influenciam pessoas? E será sequer possível influenciar alguém sem compreender primeiro o seu mundo emocional?

Se falamos de inteligência emocional, falamos inevitavelmente de influência. Porque tudo o que comunica gera emoção. E tudo o que gera emoção influencia comportamento.

Quem é Alexandre Monteiro?

Alexandre Monteiro é especialista em comportamento humano, linguagem corporal e técnicas de influência. Tem dedicado os últimos anos a traduzir conhecimento científico e estratégico — muitas vezes inspirado em técnicas usadas no mundo da espionagem — para ferramentas práticas que qualquer pessoa pode aplicar no dia a dia.

Entre os livros referidos nesta conversa estão:

  • Os Segredos que o Teu Corpo Revela
  • Torna-te um Decifrador de Pessoas
  • O Poder de Conquistar e Influenciar Pessoas

É neste último que mergulhamos com maior profundidade.

Influenciar não é convencer — é tocar no sistema emocional

Uma das ideias centrais do episódio é que existem três níveis de influência: o racional, o emocional e o genético (ou primitivo). E o erro mais comum é tentar influenciar apenas no plano racional.

Argumentos lógicos são importantes. Mas raramente são suficientes.

Quando falamos apenas à razão, o outro pode até compreender — mas não necessariamente agir. Porque a ação nasce da emoção.

A ciência das emoções mostra-nos que o nosso cérebro está programado, antes de mais, para sobreviver. E isso significa que está permanentemente a avaliar ameaças, pertença, autoridade e segurança. É aqui que a influência acontece: no terreno invisível das emoções.

As emoções são automáticas… ou construídas?

Durante a conversa, trouxe também para cima da mesa a perspetiva da neurocientista Lisa Feldman Barrett, que defende que as emoções não são apenas reações automáticas universais, mas construções baseadas na experiência e no contexto cultural.

Ou seja: o que sentimos não é apenas biologia — é também aprendizagem.

As famosas “borboletas na barriga” podem significar atração. Ou podem significar ansiedade. O corpo dá sinais semelhantes. O cérebro interpreta de acordo com o contexto e com as experiências passadas.

Isto é profundamente relevante quando falamos de influência emocional. Porque significa que não estamos a lidar com respostas fixas. Estamos a lidar com histórias, memórias e significados construídos ao longo da vida.

E quanto maior for a nossa literacia emocional, maior será a nossa capacidade de interpretar corretamente o que estamos a sentir — e o que os outros estão a sentir.

Porque resistimos tanto a trabalhar as emoções?

Houve um momento da conversa que me fez particularmente sentido: muitas pessoas resistem a desenvolver inteligência emocional porque acreditam que isso lhes vai tirar espontaneidade.

Como se aprender a gerir emoções fosse o mesmo que deixar de ser “natural”.

Mas a verdade é exatamente o oposto.

Quando não gerimos emoções, reagimos automaticamente. Quando as gerimos, escolhemos.

Na prática, isto significa treinar o cérebro para criar espaço entre estímulo e resposta. Significa impedir que a amígdala — o centro de resposta rápida a ameaças — tome conta da situação antes de a parte racional do cérebro ter tempo de intervir.

E isso não nos torna menos autênticos. Torna-nos mais livres.

O maior erro na influência: querer ser interessante

Se tivesse de escolher uma frase que resume esta conversa, seria esta:

Para influenciar, deixa de querer ser interessante e começa a ser interessado.

A maioria das pessoas entra em modo “como é que eu impressiono?”. Mas a influência emocional verdadeira começa quando entramos em modo “o que é que o outro precisa?”.

Quais são os seus objetivos?
Quais são os seus medos?
O que valoriza verdadeiramente?

Influenciar não é manipular. É alinhar.

É perceber que a competência é muitas vezes a última coisa a ser percebida. Primeiro, as pessoas precisam querer ouvir-nos.

Serenidade é poder

No final do episódio, falámos sobre desacelerar a mente emocional.

Num mundo que recompensa rapidez e reação imediata, a serenidade tornou-se uma vantagem competitiva. Em momentos de tensão, a pessoa mais serena é frequentemente percebida como autoridade.

E isso não acontece por acaso.

Quando desaceleramos emocionalmente, ganhamos acesso à parte cognitiva do cérebro. Tomamos decisões mais claras. Comunicamos com mais intenção. Influenciamos com mais consciência.

Na ciência das emoções, isto é gestão. Na prática, é poder.

O que este episódio nos ensina sobre inteligência emocional?

Que a influência começa dentro.

Que emoções não são inimigas da razão — são o terreno onde a razão se move.

Que não somos vítimas dos nossos impulsos, mas também não os controlamos à força. Gerimos.

E que, se queremos verdadeiramente conquistar pessoas — filhos, parceiros, clientes, equipas — precisamos primeiro de compreender o sistema emocional que as move.

No fundo, este episódio reforça aquilo que o Bela Questão defende desde o início: a inteligência emocional não é um luxo. É uma competência essencial.

Ouve o episódio no Spotify.